Falar da história de São Januário, antes de tudo, é falar de um símbolo. Vai além de dados estatísticos sobre material de construção e demais pontos comuns quando se conta a história de um monumento histórico. São Januário é mais do que isso: é um monumento em concreto e azulejo que representa a resposta vascaína àqueles que quiseram diminuir o Vasco, colocar o Vasco em uma posição subalterna no cenário do futebol carioca, esses mesmos que passados 80 anos da construção de São Januário não conseguiram fazer nada parecido. Nem de longe.
Vista aérea de São Januário, 1929
É a história da epopéia que foi a construção de São Januário que aqui será contada. Foi a mais bela passagem da história do Vasco? Talvez, a dúvida surge exatamente porque a saga vascaína é fértil dessas passagens impressionantes. Porém com certeza São Januário representou o melhor momento da torcida vascaína. Daqui a um século, como agora, a torcida vascaína vai olhar para trás e dizer: ‘Esse foi nosso melhor momento’.
Essa é a história do que um Vasco unido pode fazer.
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A GRANDE RESPOSTA
"Nesses termos, sentimos ter que comunicar a V. Excia. que desistimos de fazer parte da AMEA"
José Augusto Prestes
Antes de São Januário, o Vasco jogava onde podia. Primeiro em campos cedidos por outros clubes, como Fluminense e São Cristóvão, e depois em campos alugados, como em Barão de Tapagipe e Moraes e Silva, porém à medida que o futebol no clube crescia, também aumentava a vontade de dar a esse esporte um local apropriado e 100% vascaíno.
Em 1922 e 1923 já eram estudados planos para a construção de uma sede para a “sessão terrestre”, mas a idéia não seguiu adiante devido à ‘maldita política que imperava’, nas palavras de Manoel Joaquim Pereira Ramos, ex-integrante da diretoria de 1923 e que teria um papel fundamental no futuro próximo.
A idéia parecia morta, até que em 1924 todas as forças do futebol se levantaram contra o Vasco. Era o ódio contra o time de 1923, campeão absoluto, a equipe dos portugueses, dos pobres e dos negros e mulatos. Impossibilitados de ganhar no campo, os adversários históricos do Vasco, esportivamente e socialmente, criaram uma nova associação de futebol, a AMEA. E uma das exigências para o Vasco entrar nessa nova liga seria a posse de um estádio.
Eles quiseram humilhar o Vasco, os mesmo que hoje não possuem nada. Os mesmos que hoje precisam jogar em estádios feitos com dinheiro público. Do ódio contra essa campanha dirigida surgiu à centelha que incendiou os corações dos vascaínos e deu a motivação que faltava a maior mobilização já vista na história de um clube.
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TODOS POR SÃO JANUÁRIO
"Era empolgante ver a satisfação com que a colônia se dispunha a colaborar para dar ao Vasco um estádio" Ismael de Souza
O Estado-Maior da campanha por São Januário
Entre os anos de 1925 e 1927 o Vasco chamou e os vascaínos responderam. Empréstimos sem juros foram feitos por conselheiros do clube, outros se tornaram fiadores de título bancário e para o povo surgiu a Campanha dos Dez Mil. Os mais abastados e os mais humildes, juntos para fazer São Januário.
O projeto foi entregue ao arquiteto Ricardo Severo e a construção a empresa Cristiani & Nielsen, que logo enfrentou uma negativa de importação de cimento pelo governo federal, já que o equivalente nacional era de pior qualidade. Nem o problema de falta do principal insumo necessário à construção pararia o Vasco, afinal o clube já tinha superado todos os obstáculos que surgiram em seu caminho. Juntos, o clube e a construtora encontraram a solução: mudaram o traço do concreto brasileiro, melhorando-o.
O local escolhido seria São Cristóvão e foi ali, em 6 de junho de 1926, que a pedra fundamental do novo estádio foi lançada (foto abaixo) com a presença do prefeito da cidade e dos vascaínos que viam ali o sonho se concretizando.
A obra crescia e caravanas de vascaínos iam acompanhar a obra, os homens do Vasco empolgados, vendo o sonho se tornando realidade. Em 10 meses a epopéia chegava ao fim e o corpo principal de São Januário estava erguido. Um monumento que seria para sempre o maior orgulho do Club de Regatas Vasco da Gama.
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AO VASCAÍNO ANÔNIMO, DOS MILHÕES AGRADECIDOS
"Foi o povo que fez construiu o estádio do Vasco, revoltado com o racismo"
Adriano Rodrigues
São Januário em obras, 1926
Seria impossível citar os nomes de todos os grandes vascaínos que realizaram o impossível, foram milhares de abnegados, mas como forma de reconhecimento e registro histórico, fica aqui a lembrança à saudosa memória de Antônio de Almeida Pinto, o maior doador da campanha por São Januário; Álvaro do Nascimento, que atravessou madrugadas fazendo os recibos dos contribuintes; Adriano Rodrigues, o incansável tesoureiro; Raul Campos, o presidente que tornou tudo possível; Manoel Joaquim Pereira Ramos, o presidente da comissão da construção, Jordão Cançado Conde, que desde 1923 batalhava por um estádio vascaíno; Ismael de Souza, Alfredo Rabelo Nunes, José Ribeiro Nunes, Aníbal Peixoto, Alberto Portela e todos aqueles do Estado-Maior da campanha.
Diretoria a frente de uma social ainda inacabada, 1927
E principalmente, que se façam homenagens ao vascaíno anônimo, aquele que deu o que tinha e o que não tinha para o Vasco nunca mais ser humilhado por não ter estádio, para o Vasco ser forte, para o Vasco ser o maior de todos. Que se rendam honras àqueles que nos deixaram São Januário. Eles que deram ao Vasco, que antes nada tinha, o maior estádio da América do Sul.
Números da construção:
2.000 contos de réis é o custo total estimado da obra.
55.445,50 metros quadrados media o terreno adquirido.
609.895 contos de réis foi o valor pago por ele.
7.189 vascaínos ingressaram como sócios na campanha popular de São Januário.
11.000 metros quadrados estavam construídos na inauguração do estádio.
6.600 barris de cimento e 252 toneladas de ferro foram utilizados.
Uma parte de cimento, duas e meia de areia e 3 e meia de pedra britada foi a medida usada no concreto.
1.200 contos de réis recebeu a construtora Cristiani & Nielsen.
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A INAUGURAÇÃO
"A construção que ora se inaugura representa bem a dedicação e o esforço de todos os associados"
Diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama
Momento da inauguração
Depois do trabalho, depois de tanto suor para erguer o maior de todos, agora o vascaíno contemplava realizado sua grande obra. Em 21 de abril de 1927 uma cidade parou para ver a inauguração do magnífico estádio do Vasco da Gama. Nunca nada como aquilo havia sido feito em solo brasileiro, uma obra de gigantes. Para prestigiá-la vieram a São Januário um grande número de autoridades, incluindo o Presidente da República.
Durante todo aquele dia várias atividades esportivas se sucederam nas quadras de basquete e de tênis, preparativos para o evento principal: a primeira partida de futebol de São Januário, Vasco x Santos. Mas antes era preciso cortar a tradicional faixa de inauguração, e coube ao Major Sarmento, grande herói português, essa honra (foto acima).
A monumental fachada no ano da inauguração
Quando a bola rolou, o Santos mostrou porque era uma das grandes equipes da época e derrotou os donos da casa por 5 x 3, porém isso pouco importava. São Januário estava ali, era uma realidade, contra tudo e contra todos. São Januário estava ali para a eternidade.
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O VASCO NÃO PARA
Quando São Januário foi inaugurado ainda não havia a arquibancada atrás do que hoje se popularizou chamar de “gol da ferradura”, somente a social e a arquibancada em frente a esta estavam prontas. O mesmo espírito que moveu o vascaíno a transformar seu desejo em realidade, a ter sempre o maior e melhor, o levou a construir a arquibancada em curva ainda naquele ano da inauguração.
Arquibancada em curva já completa, 1927
Como curiosidade, a arquibancada atrás do outro gol, próximo ao Parque Aquático, não estava na planta original do arquiteto Ricardo Severo, mas a diretoria da época já planejava fechar todo o anel de São Januário e por isso encomendou a Adolfo Morales de Los Rios esse projeto complementar que nunca foi posto em prática.
No ano seguinte, em 31 de abril de 1928, eram inaugurados os refletores de São Januário e mais um marco acontece: o jogo Vasco e Wonders (URU) é o primeiro jogo noturno do Brasil em um estádio de futebol.
Também nesse jogo o vascaíno Santana cobra um escanteio e a bola entra: era o primeiro gol olímpico em campos brasileiros.
Dia da inauguração dos refletores de São Januário
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SÃO JANUÁRIO E A SELEÇÃO BRASILEIRA
Pegamo-los de jeito em São Januário, com um 6 x 2 memorável (Brasil 6 x 2 Argentina, 1945)
Mário FIlho
Mesmo sendo o maior estádio do Brasil desde 1927, somente em 1939 é que São Januário passou a ser o campo oficial da Seleção Brasileira de Futebol no Rio de Janeiro, mantendo esse status até a construção do Maracanã em 1950.
Inexplicavelmente a seleção utilizava a pocilga da Gávea como "estádio". A mudança para São Januário - que enfureceu os cartolas da Gávea - só ocorreu devido à visita de Jules Rimet, presidente da FIFA, ao Brasil a fim de avaliar as condições brasileiras para sediar uma Copa do Mundo. Ele naturalmente visitou São Januário e pôde constatar a diferença monumental entre o estádio vascaíno e o inominável rubro-negro.
Como sede da Seleção no Rio de Janeiro, São Januário foi palco dos títulos da Copa Rocca de 1945 e da Copa América de 1949, esse último não por acaso com um time que tinha como base os jogadores do Expresso da Vitória.
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MAIS DO QUE UM ESTÁDIO: UM MARCO
"Vêm-me à lembrança da manifestação patriótica desse clube, realizando, em seu estádio uma partida de futebol, a qual tive a honra de presenciar já como Comandante da FEB"
Marechal Mascarenhas de Moraes
Milhares de jovens regidos pelo maestro Villa
Com a Revolução de 30 uma nova era começava para o Brasil e também para São Januário. Essa cooperação do clube com os poderes públicos é iniciada em 1935, quando o estádio é cedido para os milhares que participaram do Primeiro Congresso Nacional de Educação, obra do Ministro Gustavo Capanema, que revolucionou as bases educacionais do Brasil.
Em 1940 era a vez de Villa-Lobos e seu canto orfeônico levar 40.000 estudantes das escolas do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano o Presidente Getúlio Vargas institui o salário mínimo direto da Tribuna de Honra de São Januário. Três anos depois era a vez da CLT, anunciada para todo o Brasil do mesmo local, um dos maiores marcos da história de São Januário.
Vargas utilizou diversas vezes o maior estádio do Rio de Janeiro para suas manifestações cívicas, verdadeiras festas nacionais. Primeiro de Maio, além de ser o Dia do Trabalhador, era o Dia de São Januário. O presidente entrava no estádio de carro aberto e percorria, pela antiga pista de atletismo, toda a arquibancada, até parar em frente à Tribuna de Honra, palco dos seus discursos à nação.
Ainda no campo da política, o estádio vascaíno sediou o grande encontro realizado pelo PCB em 1945. No "Comício de São Januário", Luiz Carlos Prestes, recém-saído da prisão, discursou para mais de 100.000 pessoas.
Na época da Segunda Guerra, São Januário foi posto a serviço do exército brasileiro, em uma cooperação sem precedentes entre os clubes do Brasil. Para saber mais clique aqui.
E como se tudo isso não bastasse, São Januário teve uma ligação íntima com as Escolas de Samba do Rio de Janeiro, como pode ser visto aqui e aqui.
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UMA PRAÇA DE ESPORTES, UM LUGAR DE MEMÓRIA
"Terminemos o Estádio e o ofereçamos ao Brasil"
José da Silva Rocha
Em 1948, auge do Expresso da Vitória, foi lançada uma campanha de vendas de títulos de sócio que marcou o início das melhorias que deram uma nova cara a São Januário nos anos seguintes, na verdade completando o que havia sido feito em 1927. A meta era ter 2.000 sócios proprietários ativos no clube, e se já havia 1.109 no lançamento da campanha, era preciso mais 891 para o sucesso do projeto.
Em meio comemorações do cinqüentenário do clube, os vascaínos, como sempre, responderam ao chamado da diretoria. Entre abril e novembro de 1948 todos os títulos foram vendidos, diariamente dezenas de propostas de sócio chegavam às mãos do presidente do clube, em uma mobilização só comparada a Campanha dos Dez Mil que fez São Januário. Se avaliarmos que a diretoria trabalhava com um prazo de dois anos para a conclusão da meta, entenderemos melhor o tamanho do entusiasmo do vascaíno.
Com a verba oriunda dessa campanha, que também foi usada para a construção da Sede Náutica da Lagoa, e com as mensalidades dos dois mil sócios que ela proporcionou, o Vasco ergueu em São Januário o nosso majestoso Parque Aquático (1953), a Capela de Nossa Senhora das Vitórias (1955) e o Ginásio (1956). Parecia não haver limites para o que o Vasco poderia fazer.
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O RETORNO
"A reabertura de São Januário proporcionou aos sócios novos encontros com seu querido estádio, palco de históricas glórias e triunfos"
Agathyrno Silva Gomes
Inauguração do novo sistema de iluminação
Com a construção do Maracanã para a Copa do Mundo de 1950, São Januário foi relegado pelo futebol vascaíno. O time passou 20 anos mandando todos os seus jogos, seja contra times grandes ou pequenos, no Maracanã.
Somente no começo da década de 70, por iniciativa do presidente Agathyrno, é que São Januário voltou a ser palco de jogos do Vasco, se tornando inclusive a nova sede da administração do clube, que por décadas se concentrou em um prédio na Avenida Rio Branco, Centro do Rio.
Foram muitas as reformas necessárias para adequar o estádio novamente ao futebol, mas todas elas foram feitas: em 1974, por exemplo, era inaugurado o novo sistema de iluminação, utilizado até hoje no estádio. São Januário voltava a ser utilizado em grandes competições, como a Libertadores e o Brasileiro, e em amistosos internacionais.
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MAIS MELHORIAS, SÃO JANUÁRIO MAIS BELO DO QUE NUNCA
No final de década de 90 e começo do novo século, São Januário é transformado de uma maneira só antes vista na década de 50. São adquiridos vários imóveis da Rua São Januário que proporcionaram ao clube fechar todo o quarteirão do estádio e ter pela primeira vez uma entrada na rua que batiza seu campo.
O Parque Aquático é tratado como jóia e vira sede de uma etapa da Copa do Mundo de Natação em 1998. O antigo ginásio é todo reformado e sedia um Sul-Americano de Futsal em 2000. São ainda inaugurados o Hotel-Concentração, o Colégio Vasco da Gama e um novo ginásio. Quadras poliesportivas são construídas e se tornam o Complexo João da Silva, justa homenagem a esse grande vascaíno. Onde só havia terra, 3 campos de grama sintética tomam seu lugar.
Mais recentemente, toda a parte interna das sociais recebeu uma luxuosa reforma e a grade que separa esse setor do campo foi dimensionada no padrão europeu, fato inédito em um grande estádio brasileiro.
Em 2007 São Januário é novamente notícia no mundo inteiro com o milésimo gol de Romário e o campo do Vasco se torna o único estádio particular de todo o mundo em que um jogador de futebol fez seu milésimo gol. Para comemorar essa marca uma estátua é erguida em homenagem ao feito.
Hoje, São Januário continua lá, belo e imponente. O símbolo máximo do que o vascaíno pode fazer.
Não bastava ao Vasco fazer um ‘Estádio Aquático’, como se dizia na época, era preciso fazer algo grandioso. Com esse pensamento se planejou e se executou uma obra que depois de três anos tornou o Vasco o clube com o maior Parque Aquático da América do Sul, o terceiro maior do mundo com capacidade para 10 mil pessoas e com a maior torre de saltos do planeta.
No dia 14 de novembro de 1953 o Vasco deu ao Brasil, assim como já havia feito com São Januário, esse colosso para a prática do esporte, sem um tostão de dinheiro público, custeado inteiramente pelos vascaínos.
Hoje o complexo, que tem uma área de oito mil metros quadrados, continua sendo motivo de orgulho e teve a honra, inédita no país, de sediar uma etapa da Copa do Mundo de Natação em 1998.
Educar seus atletas nunca foi um conceito estranho ao Vasco. Ainda em 1923, após todas as forças do mundo do futebol se voltarem contra o clube, o Vasco pagou um professor particular para ensinar seus jogadores analfabetos a assinarem seu próprio nome, um contraste com os outros dos chamados grandes clubes, os bem nascidos que no campo eram surrados pelos vascaínos.
Antes do Colégio Vasco da Gama, o clube pagava a educação de seus atletas em diversos estabelecimentos de ensino. É importante dizer que os clubes cariocas não eram obrigados a oferecerem educação aos seus jovens, somente após uma portaria da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro isso se tornou regra e a inspiração utilizada para ela foi exatamente o modelo educacional vascaíno. O que os outros foram obrigados a fazer, o Vasco tomava como seu dever.
A expansão de São Januário no século 21, com a aquisição de dezenas de imóveis, abriu caminho para a inauguração em 2003 do Colégio Vasco da Gama, uma das mais bonitas iniciativas de um clube sempre focado no campo social. Se antes a luta vascaína era contra a discriminação racial, agora é pela inclusão do ser humano. Atendendo atletas nos níveis fundamental e médio, o Colégio ensinou e preparou para a vida centenas de jovens, dos anônimos até as revelações do futebol Alex Teixeira, Alan Kardec e Philippe Coutinho.