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Seja no café da manhã, no almoço ou no jantar, ele só fala do Vasco. Só pensa no Vasco. Vive pelo e para o Vasco. O deputado federal Eurico Miranda acorda trabalhando pelo futebol. Despacha em Brasília, mas sempre está de olho nos esportes amadores do clube. Não há jeito: amado pelos vascaínos, odiado pelos outros torcedores e respeitado pela maioria dos adversários, o vice-presidente não está nem aí para o que os inimigos pensam a seu respeito, sobre o que dizem ou sobre o que escrevem. Dá de ombros, faz pouco caso, absorve as críticas e segue em frente. Para ele, tudo é muito pequeno diante da grandeza do Vasco.
Nessa entrevista, durante um almoço no restaurante Adegão Português, em São Cristóvão, Eurico Miranda falou sobre o presente e o futuro do clube à Revista do Vasco. A cada resposta, uma pausa para comer e atender chamadas seguidas no seu celular. Durante o encontro, ele fez algumas ligações e, mesmo fazendo mistério, admitiu que estava fechando, naquele momento, as contratações de Júnior Baiano e Válber para o mundial de clubes.
Entre couvert, bife à milanesa e toucinho do céu na sobremesa, Eurico Miranda falou sobre os planos para o ano 2000, o investimento em novos esportes e o seu amor ao clube. A seguir, os planos do dirigente mais polêmico do Brasil.

Quais são os planos para o ano de 2000? O clube pretende investir também em outros esportes?
Quero montar equipes de handebol feminino e de ginástica artística. Em relação à ginástica, a idéia é manter as atletas nas cidades onde treinam atualmente. Vamos ter mais pólos de atuação. Exatamente como fazemos com esportes como a canoagem e a natação.
Qual é a norma fundamental para o Vasco apostar num esporte?
Quero sempre uma referência nos esportes. É preciso ter um símbolo em cada modalidade. A natação, por exemplo, tem o Gustavo Borges, um nome de ponta, um astro, que traz resultados e retorno para o clube.
É o caso da Adriana Behar e da Shelda, a quem você adora e que ganharam o ouro nos jogos Pan-Americanos?
É isso mesmo. Elas são vencedoras, símbolo do vôlei de praia. Elas estavam correndo atrás de patrocínio. Contratei as duas e toda a equipe: técnica, preparador físico, etc. E elas corresponderam. E aprenderam a gostar do Vasco.
O sucesso dos atletas do Vasco nos jogos Pan-Americanos motivou a diretoria a investir ainda mais?
O sucesso no Pan-Americano fortaleceu ainda mais o projeto. Hoje, já temos 29 modalidades, cada qual trabalhando com objetivos diferentes. Tenho algumas, muito fortes, que visam às Olimpíadas. Em outras, como no tênis, invisto nas categorias de base, nos garotos.
E em relação às outras modalidades onde já existe investimento? O que o clube está preparando para a próxima temporada?
Vamos incrementar ainda mais a natação e o atletismo. Neste último, vou fechar um acordo com a Funilense/Olympikus para trazer para o Vasco até 8 atletas de ponta que eles patrocinam. Queremos a Maurren Maggi (salto em distância e 100m com barreiras), Eronildes Araújo (tricampeão pan-americano dos 400m com barreiras) e Claudinei Quirino (vice-campeão mundial dos 200m rasos e ganhador de quatro medalhas pan-americanas), entre outros. Vamos criar a Vasco/Funilense, em São Paulo. Não poderíamos desenvolver ainda mais o atletismo, que é esporte básico no Vasco. Está até no hino. No remo, é a mesma coisa. E ganhamos tudo nessa modalidade no ano passado.
O basquete teve uma temporada de altos e baixos. Teve uma grande participação no Mundial em Milão, mas fracassou no Estadual, sem chegar à final...
Ganhamos a Liga Sul-Americana e o Campeonato Sul-Americano. Fomos vice no Campeonato Pan-Americano e na Liga Nacional. Ganhamos tudo nas divisões de base. O problema no time principal foi o técnico. Foi mal escolhido (Flor Meléndez). Vamos corrigir isso, trazendo o Hélio Rubens. Trouxe todos os jogadores importantes que ele dirigia em Franca e não ele. Mas, agora, ele virá para o Vasco.
O futsal foi uma decepção na última temporada. Além de Manoel Tobias, o que fazer para dar um jeito ali?
Montei o time em função do Manoel Tobias. Até o técnico passou pelo crivo dele. Não adianta fazer um investimento num jogador como esse e ter problemas futuros. Manoel Tobias é um cara sério, profissional, tem um projeto de vida. Quer tocar suas escolinhas, ajudar os carentes. Resolvi ajudá-lo nisso. Ele até me despertou interesse pelo Jorginho (Lateral contratado para reforçar o time no Mundial de Clubes). Estão juntos nesses projetos de escolinhas e como estávamos precisando de um lateral-direito, contratei o Jorginho também.
O projeto Vasco-2000 vai de vento em popa. Você está realizado e satisfeito com o número de atletas que o Vasco terá nas Olimpíadas de Sidney?
É um projeto muito bonito, que está sendo desenvolvido. Cada vez mais pessoas procuram o Vasco para apresentar projetos. Os atletas depositam uma confiança muito grande em mim. Isso me orgulha. É uma coisa muito pessoal. Todos eles acreditam muito no meu propósito.
O Vasco pensa em sediar e promover eventos esportivos na próxima temporada?
Quero mandar nossos atletas aos melhores eventos. Pela primeira vez, uma equipe brasileira de Karatê foi ao Mundial Júnior, disputado recentemente na Hungria. Agora em janeiro, estaremos no Meeting de Paris. Em fevereiro, vou patrocinar o Campeonato Sul-Americano de Clubes e a Taça Brasil de Futsal, aqui no ginásio de São Januário. Estamos reformando o local, mudando o piso, aumentando a quadra e a capacidade do ginásio de 200 para 2.500 lugares. Vamos, também, promover uma competição internacional importante de tênis de mesa.
E as obras de remodelação do estádio de São Januário? Em que pé estão?
Vão começar depois de acabarmos as do Centro de Treinamento, na Rodovia Washington Luís. Mas espero começar isso antes do final do ano 2000.
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