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Nesta edição, a Revista do Vasco abre, pela primeira vez, espaço para dois craques da mesma atividade baterem bola para a torcida cruzmaltina. A exceção se justifica plenamente quando os craques são apresentados: um é o maior artilheiro da história do Vasco, recordista em gols em Campeonatos Brasileiros – 190 gols – e jogador que mais vezes vestiu a camisa cruzmaltina – 1.110 vezes. O outro foi o principal jogador na campanha do Brasil rumo ao tetra mundial e, de volta ao Vasco, atingiu a marca de 700 gols em uma carreira marcada por títulos em todos os cantos do planeta. São Januário quase parou no dia em que, reunidos pela Revista do Vasco, Carlos Roberto de Oliveira, o Roberto Dinamite, encontrou-se com Romário de Souza Faria, o Baixinho, para relembrar os bons tempos que passaram juntos, no comando de ataque do Vasco, e falar sobre o clube de coração dos dois, futebol e seleção brasileira.
Roberto Dinamite
Pouco antes de completar 15 anos, em 1969, o menino Carlos Roberto foi descoberto pelo olheiro Gradim e começou sua carreira de sucesso no Vasco, jogando na escolinha. Menos de dois anos mais tarde, nem bem completara 17 anos, o jovem ponta de lança teve as primeiras oportunidades no time de cima do Vasco, graças ao então treinador Admildo Chirol. Não foram precisos mais do que dois jogos para que a revelação fizesse seu primeiro gol entre os profissionais, em jogo pelo campeonato brasileiro, contra o Internacional.
Impressionado com a violência do chute que deu ao Vasco o segundo gol na vitória de 2x0 sobre o time gaúcho, o jornalista Aparício Pires, do Jornal dos Sports, redigiu, no dia seguinte, uma manchete profética: “Garoto Dinamite explode o Maracanã”. Nascia para o futebol, no dia 25 de novembro de 1971, Roberto Dinamite.
Na campanha que deu ao Vasco seu primeiro campeonato brasileiro, em 74, Roberto foi o grande comandante da equipe, assinalando 16 gols, que o tornaram o artilheiro da competição – dez anos mais tarde, Dinamite voltaria a ser o artilheiro do Brasileirão, novamente com 16 gols.
Depois de ser campeão carioca em 77 e artilheiro em 78, Roberto ainda ajudou o Vasco a ser vice-campeão brasileiro em 1979, antes de ser vendido ao Barcelona, da Espanha. Saudades de casa e inadaptação ao futebol espanhol acabaram trazendo o craque de volta ao Vasco, poucos meses depois da despedida. E esse retorno a São Januário não poderia ter sido melhor. No jogo da volta, enfrentando o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro de 80, Dinamite levou a torcida ao delírio, ao marcar os cinco gols da vitória vascaína.
Em 1982, convocado para disputar a sua segunda Copa do Mundo – estivera na Argentina, em 1978 – o craque acabou não sendo escalado por Telê Santana, o que lhe causou a maior mágoa da carreira. Em 49 jogos pela Seleção, Dinamite marcou 26 gols, 3 na Copa da Argentina. Passada a Copa da Espanha, Roberto Dinamite ajudaria o Vasco a conquistar o bicampeonato estadual, em 1987 e 1988, antes de sofrer, ainda em 88, uma grave contusão que o afastou da equipe e fez com que muitos diagnosticassem precocemente o fim da carreira do craque.
Depois de enfrentar uma lenta recuperação, Roberto foi emprestado à Portuguesa de Desportos e ao Campo Grande, mas predestinado a ser campeão pelo Vasco, voltou a São Januário e, novamente efetivado por Joel Santana no comando de ataque, sagrou-se campeão estadual de 1992, invicto, último título de uma brilhante carreira.
Em março de 1993, Roberto despediu-se do futebol em amistoso contra o Deportivo La Coruña, no Maracanã, jogo para o qual convidou o eterno adversário e grande amigo Zico, que acabou vestindo a camisa do Vasco. Do campo para os palanques, Roberto abraçou a carreira política e, hoje, cumpre mandato de deputado estadual pelo Rio de Janeiro.
Romário
Em 1979, quando Roberto já era um jogador consagrado, tendo disputado até uma Copa do Mundo, um menino de apenas 13 anos e medindo 1,68 metro chegou ao Olaria, levado por olheiros que o haviam acompanhado em peladas na Vila da Penha. Muitos gols pelas equipes de base do time suburbano depois, o Baixinho se transferiu para os juniores do Vasco, clube em que alcançaria projeção. Em 1985, depois de mais uma curta temporada no Olaria, Romário voltou ao Vasco para fazer dupla de ataque com seu ídolo Roberto Dinamite, sob o comando de Antônio Lopes.
O êxito da parceria pode ser medido pelos títulos que ajudaram o Vasco a faturar: em 1987 e 1988, comandaram o time no bicampeonato carioca. No mesmo ano de 1988, depois de conquistar a medalha de prata com a Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Seul, Romário foi vendido para o futebol holandês – PSV Eidhoven – onde iniciou sua consagração internacional. Passados cinco anos, o artilheiro foi contratado pelo Barcelona, da Espanha.
Em 1994, depois de ter sua convocação para a Seleção exigida pelo povo brasileiro, Romário brilhou na Copa dos Estados Unidos, sendo considerado o principal responsável pelo título e ganhando o prêmio de “melhor jogador do mundo”, concedido pela FIFA. De volta à Espanha, indispôs-se com os dirigentes do clube catalão e acabou contratado pelo Flamengo, onde, apesar dos muitos gols, não conquistou os títulos esperados.
Romário ainda teve uma breve passagem pelo Valência, da Espanha, e, no fim do ano passado, aos 33 anos de idade, voltou ao clube que o projetara. O cabelo mais raro denuncia a passagem do tempo, mas a qualidade do futebol parece ter melhorado ainda mais. Recebido de braços abertos no Vasco, Romário vem recompensando a torcida com o que mais sabe fazer: gols.
Eternamente em busca de novos desafios, Romário sonha com a medalha de ouro nos Jogos de Sydney e com mais títulos pelo Vasco. Boa sorte, Baixinho.
Revista do Vasco: Com quantos anos você começou no Vasco?
Romário: Comecei com 16 ou 17 anos. Eu vim do Olaria pra cá.
Roberto: Comecei com 15 anos, na escolinha.
RV: Que treinador te deu a primeira chance?
Roberto: Admildo Chirol. O treinador caiu e o Chirol, que era preparador físico, assumiu. Aí, ele me levou pra um jogo contra o Internacional...
RV: E como foram suas estréias na equipe profissional?
Romário: Eu comecei como reserva, no Campeonato Brasileiro de 1985. Depois, desci para os juniores e voltei em definitivo quando o Antônio Lopes assumiu.
Roberto: Comigo foi bem parecido. Eu era juvenil, joguei no profissional e voltei pro juvenil, se não me engano em 72.
RV: E na seleção, quando vocês disputaram seus primeiros jogos?
Roberto: Em 1976. Nós conquistamos o Torneio Bicentenário da Independência, nos Estados Unidos.
Romário: Minha estréia foi em 1987, numa excursão. O técnico era o Carlos Alberto Silva.
RV: Roberto, o que você achou da convocação do Romário? Na sua opinião, foi como nas eliminatórias para a Copa de 94, quando houve grande pressão popular pela convocação?
Roberto: Acho que o Romário já é, há algum tempo, o melhor atacante do Brasil. A convocação para a Seleção vem em decorrência do que o atleta faz no clube. Eu poderia até dizer que, neste caso, ela veio um pouco tarde, mas, no fundo, eu acredito que tudo tem a sua hora. E agora ele ainda vai poder disputar as Olimpíadas...
RV: Por falar em pressão popular, em 1982, todos queriam ver você no comando de ataque da Seleção, na Copa da Espanha. O que aconteceu?
Roberto: Pois é. Eu até fui, mas não joguei. Seleção tem muito a ver com o treinador, com quem ele está acostumado a trabalhar, com quem ele se identifica. A minha situação na Seleção foi sempre muito polêmica, nunca uma coisa muito clara eu estar na Seleção. Em 78, o titular era o Reinaldo, o reserva inicialmente era o Nunes. Depois, em 82, houve um distanciamento muito grande entre o time que estava jogando e o resto do grupo. Eu acho, por exemplo, que, se for para convocar o Romário para as Olimpíadas e deixá-lo no banco, sem jogar, é melhor ele nem ir.
RV: Você guarda ressentimento pelo que aconteceu em 1982?
Roberto: Quando você sabe o quanto pode render, até onde pode chegar, é claro que, mesmo respeitando a posição do treinador, espera ter o direito de buscar o seu espaço na seleção.
RV: E você, Romário, a maior mágoa da sua carreira foi voltar pra casa em 1998?
Romário: Com certeza.
Roberto: Em 82... Se, na época, alguém dissesse: “Você foi convocado, mas não terá oportunidade dentro da seleção”... Se eu pudesse adivinhar, eu teria preferido ficar aqui. Foi desgastante, até no aspecto pessoal.
RV: Beneficiados por terem até jogados juntos, qual a principal qualidade, pessoal e profissional, que cada um de vocês vê no outro?
Romário: Eu sempre admirei muito o Roberto como profissional, dentro de campo, pela sua inteligência. Jogar com ele era fácil; a gente tinha um esquema de jogo aqui em que ele era o centroavante, eu entrava pela esquerda e o Mauricinho, pela direita. Ele saía pra buscar a bola, eu recebia e a gente fechava em direção ao gol. Aí, já era!
Roberto: Eu concordo que este esquema era muito bom e deu certo por causa da capacidade do Romário e do próprio Mauricinho, que era veloz, mas não tinha um aproveitamento tão bom.
Romário: O Mauricinho era de chegar mais no fundo, não era de fazer gol.
Roberto: É verdade. O Romário que tinha esta facilidade. Eu me lembro que, quando se formou este esquema, se pedia muito para que o Romário voltasse pro meio. Inicialmente, pediam até pra ele voltar pra lateral; mas isso era uma coisa que ele não fazia e até hoje não faz. Na época, a solução foi sacrificar o Luiz Carlos, fazendo com que ele ficasse na marcação.
RV: Romário, você falava da inteligência do Dinamite.
Romário: Eu já joguei muito; passei por outros clubes, mas o Dinamite é, com certeza, um dos melhores parceiros que eu tive, um dos jogadores mais inteligentes com quem eu joguei, um cara que estava sempre pensando um pouquinho na frente da gente. Naquela época, era fácil jogar com ele, porque existia aquela preocupação dos zagueiros em marcá-lo, a atenção era toda nele.
Roberto: E você estava aparecendo, estava surgindo. Todo mundo vinha em mim.
Romário: Aí, a gente pegava a sobra. (risos)
RV: E além do Roberto? Que outro parceiro de ataque você destacaria?
Romário: Eu tive outro grande parceiro no PSV, o Kieft. Ele inclusive jogava mais ou menos como o Dinamite. Fazia menos gol, né? Mas era parecido.
RV: E você, Roberto? O que você diz de Romário?
Roberto: Pense no Romário hoje e imagine há dez anos, com mais explosão, mais força. Além de uma qualidade técnica excepcional, ele tinha uma tremenda visão de jogo. Normalmente, de cada três passes, o cara aproveita um, no máximo. Com o Romário, era diferente; de cada três bolas, ele fazia duas e a outra batia na trave. A única diferença entre hoje e no começo da carreira é que, naquela época, ele corria 50 metros, hoje, corre 30. Ele encurtou a distância, mas continua chegando na frente de qualquer garoto desses aí. Com o tempo, ele se tornou o mais completo centroavante...
RV: O mais completo do mundo?
Roberto: Eu acho! Nos últimos 15 anos, acho que ele foi o jogador mais completo nesta posição.
Romário: Tem uma outra coisa sobre o Dinamite. Com o Roberto em campo, quando não dava pra marcar o gol, a gente, pelo menos, procurava cavar uma falta ou um pênalti. De cada quatro ou cinco faltas perto da área, com certeza ele colocava metade na rede.
RV: Roberto, qual a melhor fase da sua carreira?
Roberto: A melhor fase foi entre 76 e 78. Além disso, acho que os melhores times do Vasco de todos os tempos foram os de 76/77 e de 86/87.
Romário: Neste ano aí que o Roberto falou (86), a gente tinha um grande time, era muito respeitado...
RV: E para você, Romário, qual foi o ponto alto da sua carreira?
Romário: Meu melhor momento foi em 94, a conquista da Copa. Todo jogador sonha em disputar uma Copa do Mundo. Quando você consegue ganhar uma, então, está praticamente realizado dentro daquilo que colocou na cabeça desde o ínicio.
RV: E depois disso? Você parece estar sempre se impondo um novo desafio.
Romário: A seleção, comigo, é o seguinte: muita gente sempre me quis na Seleção, menos alguns treinadores, né? Não sei por que. (risos). Isso aconteceu em 90 e, no fim, o Lazaroni acabou me levando. Depois, em 94 e em 98... Nenhum técnico me levou pra seleção porque queria. Sempre me levaram porque foram obrigados.
RV: Por pressões da opinião pública e da imprensa?
Romário: É mais ou menos por aí.
Roberto: Em 94, acho que o Romário e o Bebeto foram duas peças fundamentais para a conquista do tetra. Eu acho que a meta de todo jogador é chegar à seleção e conquistar uma Copa. Pena que a minha geração não teve, né?
RV: E gols, quais os mais importantes? Para você, Roberto, foi aquele contra o Botafogo, em que quase acaba com o pobre do Osmar Guarnelli?
Roberto: Não sei, acho que ele passa a ser principal porque, vamos dizer, está sendo eternizado. Toda vez que você encontra um torcedor, até mesmo do Botafogo, não tem como não falar daquele gol. Mas também houve aqueles cinco contra o Corinthians, na volta do Barcelona.
RV: Falando em Barcelona, eis mais um ponto em comum na carreira de vocês dois.
Roberto: Só que ele brilhou, né? A diferença é essa.
RV: E o que aconteceu naquela época que o impediu de também brilhar?
Roberto: O que aconteceu comigo foi que cheguei no meio de tempora lá e o Barcelona não atravessava um bom momento, não tinha, no meu modo de ver, uma boa equipe. E o Barcelona é um clube em que há muitas cobranças, dos torcedores e da imprensa. Aí, o treinador que me levou caiu e foi substituído por outro, que não gostava de brasileiro. Mesmo assim, valeu essa passagem profissional.
RV: E para você, Romário, qual o gol mais bonito que fez?
Romário: O gol mais bonito que eu fiz aconteceu quando eu jogava no PSV. Houve uma partida no Nou Camp contra o Estrela de Bucarest e nós ganhamos por 5 a 1. No primeiro dos três gols que fiz no jogo, passei por nada menos do que sete adversários, seguindo com a bola do meio-campo até dentro do gol.
RV: E aqui, no Brasil, tem algum que você destaque?
Romário: Aquele contra o Corinthians, depois do drible do elástico no Amaral. Desculpe o Amaralzinho, meu amigo, mas aquele gol é como o do Roberto contra o Botafogo. Sempre passa na relação de gols mais bonitos do ano. Aí, vira uma marca, uma referência.
RV: O Roberto sempre foi visto como um jogador que não fazia faltas, que era educado dentro de campo. Você teve alguma vez um grande problema com o juiz?
Roberto: Eu não era tão bonzinho, não, mas não tive problemas com a arbitragem. Minha única lembrança polêmica sobre a arbitragem foi aquele jogo em que o José Roberto Wright entrou em campo, em um Vasco x Flamengo com um microfone escondido. Achei uma atitude errada dele.
Romário: Eu tava nos juniores, subindo para o profissional. Me lembro bem desse jogo.
RV: Vocês tem uma característica comum: sempre souberam dosar muito bem as energias em campo.
Romário: Isso acontece comigo hoje em dia. Quando eu joguei aqui, até mais ou menos uns 25 anos de idade, existia aquela correria do ponta-esquerda. Hoje, não dá mais para fazer isso, né? Os anos vão se passando e a gente vai aprendendo um monte de coisas...
Roberto: Quando você é mais novo, se desgasta, se movimenta, às vezes, desnecessariamente. Quando cheguei aos 30 anos, comecei a me sentir um jogador mais completo, ocupando melhor os espaços, participando mais do jogo.
RV: Você também acha que você melhorou com o tempo?
Romário: Vinho é que é assim: vai ficando melhor com o tempo. É, a gente perde um pouco de explosão, mas por outro lado, passa a ter mais noção de espaço, do campo. A gente já sabe mais ou menos como se posicionar melhor pra fazer o gol.
RV: Quem foram os marcadores mais corretos contra quem vocês jogaram?
Romário: O Mozer e o Ricardo Gomes.
RV: Jogavam na bola?
Romário: Sempre que possível (risos).
Roberto: Eu considero o Ricardo Gomes leal. O Mozer chegava junto, batia bem. Ele gostava de dar aquelas agulhadas.
RV: E quais os ídolos de vocês?
Romário: Eu sempre tive o Roberto e o Reinaldo (ex-jogador do Atlético-MG) como ídolos.
Roberto: Quando eu comecei a ver futebol, em 67, 68, gostava do Jairzinho. Hoje, eu gosto do Romário. Eu digo: “Não, o Romário é que jogou comigo”. Eu tenho que tirar o chapéu e reconhecer que daquela época pra cá, ele cresceu muito como jogador e como pessoa. Eu convivi com o Romário, conheço o temperamento dele. Ele é uma pessoa muito autêntica e isso normalmente incomoda as pessoas, mas é uma pessoa por quem eu tenho o maior carinho, muito respeito e admiração. Eu também gosto do Edmundo como pessoa, do jeito dele.
RV: Qual foi o técnico mais importante de cada um de vocês?
Romário: O Lopes foi muito importante para mim porque me colocou no profissional. O Joel Santana também é um treinador por quem eu tenho o maior carinho.
Roberto: É, a gente tem isso em comum. O Lopes também foi muito importante pra mim. É aquele negócio, é uma troca: o Romário não pegou o Lopes quando ele chegou aqui. Em 82, ele fez um belo trabalho no Vasco. Trabalhei em 89 novamente com ele quando fomos juntos para a Portuguesa. É um cara muito leal, muito amigo. Gosto tanto dele quanto da Dona Elza, sua esposa. E o Joel também foi importante para mim, como treinador e como jogador. Em 73, treinamos muito juntos. Ele me ajudava muito, como companheiro. Como técnico, o considero o que mais conhece de futebol aqui no Brasil.
RV: E para você, Romário, qual é o melhor do Brasil?
Romário: O Brasil tem bons treinadores: o Joel, o Luiz Felipe, o Wanderley. Eu já trabalhei com o Wanderley, já tive problemas, mas acho que, para um técnico chegar a comandar a seleção, ele tem que conhecer muito. Ele é um cara que conhece a profissão dele.
RV: Existe algum adversário contra quem vocês sempre gostaram de fazer gols?
Roberto: Eu acho que não existe necessariamente um time em que eu tenha gostado mais de fazer gols.
Romário: Eu, particularmente, gosto de jogar contra qualquer um. Mas os times em que mais fiz gol foram, coincidentemente, o Olaria, onde comecei, e o América (risos).
RV: Quais são os seus projetos de vida?
Romário: Profissionalmente, eu tenho este objetivo de chegar às olimpíadas em setembro. Isto é uma coisa que está na minha cabeça e eu vou até o final. Além disso, tenho projetos na área social, mas que, por falta de apoio do governo, estão apenas no papel, como os centros esportivos na Favela da Maré e na fundação Oswaldo Cruz.
Roberto: O meu projeto, agora, é o que eu estou fazendo, é o meu trabalho na Assembléia Legislativa. Também desenvolvo um trabalho de apoio a crianças portadoras do vírus HIV.
Romário: O que falta é as pessoas honrarem suas palavras, seus compromissos. Eu estive duas vezes com o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, sentei com ele e nada avançou. Fui lá em Brasília e também não consegui nada. Eu não acredito mais nos políticos. Vou começar a tocar o meu projeto independente desses caras, vou correr atrás de patrocinadores.
RV: Quantas crianças serão beneficiadas em seus projetos?
Romário: Na Maré, 2.000. Na Fiocruz, 400.
RV: Uma curiosidade, para encerrar: vocês tem alguma superstição?
Roberto: Quando jogava, só entrava em campo com o pé direito.
Romário: Até hoje, eu também faço a mesma coisa.
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