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Uma foi criada no Méier, reduto tradicionalmente vascaíno, cursa jornalismo e ganhou projeção na televisão aos 17 anos, como protagonista da novela “Xica da Silva”. Quatro anos mais tarde, ainda colhe os frutos do sucesso, viajando pelos países da América Central, América do Sul, África e, até, os Estados Unidos, onde a novela bateu o recorde de audiência de quatro anos de uma emissora de TV aberta. O outro é o principal fundista da natação brasileira, com índice para as provas de 4x200m, 400m e 1.500m das olimpíadas de Sydney. A Revista do Vasco convidou a atriz Taís Araújo, vascaína desde as fraldas, quando ganhou do pai uma camisa do Vasco, para um bate-papo com o nadador Luiz Lima, um dos ídolos do esporte amador vascaíno. Na conversa, os dois descobriram algumas coincidências, como o fato de serem ambos nativos do signo de sagitário. Além disso, Taís aniversaria no mesmo dia do pai de Luiz Lima, Luiz Eduardo: 25 de novembro. O que não faltou foi assunto...
Taís Araújo: Essa é a última olimpíada que você disputa?
Luiz Lima: Estou indo para a minha segunda olimpíada, a primeira que disputei foi em 96, em Atlanta, aos 18 anos. Pretendo ainda competir nos jogos olímpicos de 2004, em Atenas, e quem sabe, em 2008, quando a Federação Internacional incluirá novas provas no calendário olímpico, como os 5Km e os 25Km em mar aberto, que possibilitam ao atleta competir com uma idade mais avançada. Entre outros projetos, depois de passar 24 horas consecutivas nadando em uma piscina tentando bater o recorde mundial, ou nadar 25Km (Cerca de cinco horas) em mar aberto.
TA: E quando voltar de Sydney, quais os seus planos?
LL: Voltar a estudar Direito e continuar treinando forte. É muito difícil conciliar as duas coisas, mas a vida é curta e você tem que fazer o que gosta. Por isso, optei pela natação. O estudo poderia ser feito mais tarde. Com o esporte pude conhecer mais de 20 países, algo que possivelmente não conseguiria como advogado.
TA: A nova geração de nadadores australianos te assusta?
LL: Comparo os nadadores australianos aos quenianos no atletismo. No momento, eles são os maiores favoritos não só nas provas de fundo, mas também nas de velocidade. Mas acredito que poderei lutar pela medalha de bronze.
TA: Você acha que eles estão usando doping?
LL: O doping sempre estará à frente de qualquer tipo de exame. Não posso afirmar que os australianos estão se dopando, mas acredito que estejam fazendo algo que o mundo ainda não descobriu, um novo estilo de treinamento, ingerindo alguma vitamina desenvolvida em laboratório... Eles evoluíram muito mais rápido do que o resto do mundo.

TA: Como foi seu começo na natação?
LL: Comecei a nadar em clube aos 5 anos, no América. Meu treinador era o Luiz Raphael, na época com 21 anos, e que me acompanha até hoje. Já são 17 anos juntos. Fiquei um ano lá e depois me mudei para o Fluminense, onde fiquei por mais 13 anos. Mas o começo de tudo foi mesmo na piscina da minha casa, quando ainda morava em Campo Grande.
TA: O que significou o Fluminense em sua vida? Seu coração ainda é tricolor?
LL: Foram 13 anos, mas graças a Deus, tive a felicidade de conhecer o Vasco no ano passado, clube que aprendi a amar demais e que me adotou como um filho. Uma nova paixão. Temos que ficar perto de quem gosta da gente.
TA: Minha mãe foi de fundamental importância para a minha carreira. Qual a importância dos seus pais na sua?
LL: Minha mãe (Vitória Régia), sempre me levou aos treinos, no Grajaú. Se não fosse ela, não sei como seria a minha carreira. Hoje, ela entende mais de natação do que o meu pai. Chego para ele e digo que nadei em um determinado tempo, mas ele não sabe se foi bom ou não. Já a minha mãe compreende essas coisas.
TA: Quem é o seu ídolo?
LL: Pelé, desde pequeno. Eu acho que ele foi um jogador excepcional e ainda é o maior embaixador do Brasil. Ele conquista as pessoas pela simpatia e pela simplicidade. Na natação, tenho como ídolos o russo Vladimir Salnikov e o Ricardo Prado.

TA: Você é um dos poucos nadadores de alto nível que optou por permanecer treinando no Brasil. Por quê?
LL: Já recebi algumas propostas de universidades americanas, mas optei pelo Brasil por causa da estrutura, do meu técnico. Mas não posso negar que minha experiência vivendo fora deixou um certo trauma. Em 96, passei três meses treinando em Melbourne, na Austrália. Um australiano que morava comigo, roubou US$ 800 da minha mala. Pior recepção, impossível. Os treinadores australianos também não me tratavam bem. Meu tempo caiu consideravelmente. De bom, ficou a amizade com o Saad, filho de um holandês com uma marroquina. Tive a oportunidade de conhecer Casablanca, capital do Marrocos, quando fiz uma visita a eles. No ano passado, o Saad deixou o Fluminense e também veio para o Vasco.
TA: Qual o futuro da natação brasileira quando você, o Gustavo Borges e o Fernando Scherer pararem de nadar?
LL: Acredito que o futuro é muito promissor, incluindo a natação feminina. O número de academias está aumentando, principalmente no interior de São Paulo. Da quantidade, vai se tirar a qualidade.
TA: Você se sente à vontade depilando o seu corpo?
LL: Acho legal. É importante para o nadador aumentar a sensibilidade com a água. Em Sydney farei algo que nunca fiz, nem mesmo nas Olimpíadas de Atlanta: raspar as axilas. Mas raspar a cabeça, não tenho coragem. Viu o Xuxa? Ficou muito feio (risos).
TA: Como é o Luiz Lima fora das piscinas?
LL: Não gosto de dormir tarde, não bebo, não fumo, raramente como um doce. Gosto de ir à praia, cinema, shopping... Ah, escreve aí, namorar, senão a Milene – N.R.: Milene Comine, sua namorada, também nadadora do Vasco – vai ficar uma fera!
TA: Você tem alguma superstição?
LL: Sim. Quando disputo uma prova com uma determinada sunga e consigo um bom resultado, uso a mesma sunga e óculos nas competições seguintes. Se como três batatas no almoço e depois venço, da vez seguinte sigo o mesmo ritual, tudo igualzinho, nos mínimos detalhes.
TA: Você já conhece o local onde serão disputadas as provas de natação em Sydney?
LL: Já. Nadei a Copa do Mundo de 98 na mesma piscina onde serão realizadas as provas. Eles têm uma bela infraestrutura esportiva. Em Perth, onde foi disputado o último mundial de piscina olímpica, há uma população de um milhão de pessoas e existem cem piscinas olímpicas. É fantástico. O Instituto Australiano de Esportes, em Canberra, reúne todos os esportes olímpicos da Austrália. Não é à toa que o Alexander Popov – N.R.: Russo, considerado o maior velocista do mundo – e o Ian Thorpe – N.R.: Fenômeno australiano – treinam lá.
TA: Como é para um atleta participar de uma olimpíada?
LL: A tensão é maior quando se aproxima o dia de cair na piscina. Comparo à responsabilidade de bater um pênalti numa Copa do Mundo. Em 96, um pouco antes dos jogos de Atlanta, estava super bem, com tempo para disputar a final. Mas pesou a inexperiência e acabei em décimo, nos 1.500m. É o momento máximo na carreira de um atleta. Poucos tem a oportunidade de representar o seu país numa olimpíada.
TA: Toda a sorte do mundo, então.
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