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Um é tijucano de coração, louro de olhos azuis, 1,80m de altura, tênis número 43 e faz sucesso entre as crianças desde que lançou a musica “Heloísa mexe a cadeira”. Atualmente, sua música “Te encontrar de novo” estoura nas rádios, vendendo 150 mil cópias. O outro nasceu na República Dominicana, mas se diz brasileiro por adoção. Tem 2,08m e calça 49. Faz a torcida vascaína vibrar com a garra que luta pela bola debaixo da cesta. A Revista do Vasco convidou o cantor Vinny, vascaíno em cada segundo do dia para perguntar tudo o que smpre quis saber sobre um dos maiores ídolos do esporte amador do clube, o pivô Vargas, premiado como Destaque do Basquete na festa Oscar do Vasco.

Vinny: Como surgiu seu interesse pelo basquete?
Vargas: Na República Dominicana, onde nasci, todos jogam beisebol, que poderia ser considerado em grau de importância como o futebol para o brasileiro. Eu também jogava, mas aos 15 anos um amigo me chamou para jogar basquete, devido à minha altura. No momento de decidir por qual esporte eu prosseguiria, optei pelo basquete, pois oferecia uma oportunidade de eu continuar estudando.
Vinny: Qual a estatura média dos dominicanos?
Vargas: Posso dizer que o meu país é um Brasil menor, na população, na cultura, uma mistura muito grande. Nosso povo não é muito alto, a média gira em torno de 1,70m.
Vinny: Você chegou a jogar na NBA?
Vargas: Joguei um curto período no Dallas Mavericks.
Vinny: Qual o seu ídolo?
Vargas: Ídolo é uma coisa passageira. Temos a tendência de escolher alguém que está em evidência. Não conheci meu pai, mas meu tio é um exemplo de vida para mim. No esporte, admiro bastante o Magic Johnson. Ele vem enfrentando os momentos difíceis da vida sempre ao lado da família e tentando acabar com o preconceito contra os portadores do vírus da AIDS.
Vinny: Como você se sente jogando no Vasco?
Vargas: Realizo um sonho que tenho desde a universidade: jogar no Brasil. Estou num clube que possui uma torcida maravilhosa e movida pela paixão. Eu me sinto um vascaíno. Criei um círculo de amizades que faz com que me sinta em casa. Joguei em tantos clubes da Europa, mas nunca senti a mesma coisa que sinto pelo Vasco.
Vinny: Você pretende encerrar a carreira aqui?
Vargas: Eu paro de jogar aqui no Vasco. Quantos anos a mais jogarei dependerá de minha condição física e da minha capacidade de ajudar a equipe a vencer. Não quero jogar apenas pelo nome. Quero me sentir útil para os meus companheiros.
Vinny: Qual foi o maior adversário que você enfrentou?
Vargas: O melhor foi o San Antonio Spurs, na final do McDonald’s Open, em Milão. Um time com Tim Duncan, David Robinson... Eles jogam outro basquete, uma coisa de outro mundo.
Vinny: E o melhor jogador?
Vargas: Sem dúvida, o Michael Jordan. Realmente espetacular, com a cabeça no lugar e muito humilde. Aqui no Brasil, considero o Pipoka um dos jogadores mais completos, pois sabe marcar e arremessar muito bem.
Vinny: Quando você observa as crianças torcendo por você, acompanhando as suas jogadas, o que você espera que elas aprendam?
Vargas: É nessas crianças que está o futuro da nossa humanidade, quero que elas saibam que o importante não são os erros, a derrota. O importante é lutar para tirar o melhor de si e ajudar os outros a vencer junto com você. Eu como jogador e você como um artista temos um papel muito importante nisso. Tenho a consciência de que podemos ser mais influentes junto a uma criança do que os próprios pais dela.
Vinny: Qual foi o maior “toco” que você levou na vida?
Vargas: O maior deles foi não ter conhecido meu pai, que morreu antes de eu nascer e até hoje mexe comigo. Não consigo aceitar isso. Na quadra aconteceu ainda quando eu estava na Universidade de Louisiana, nos Estados Unidos. Eu era conhecido por enterrar todas as bolas. Num certo dia durante o treino, eu parti com tudo para encravar a bola na cesta quando surgiu do nada o Oliver Brown. Ele saltou bastante e me deu o toco. Fomos parar no chão.

Vinny: Você pretende se naturalizar brasileiro?
Vargas: Isso passa pela minha cabeça, pois para me tirar daqui será difícil. Adotei o Brasil para viver. Morei em Roma, Milão, Paris, Nantes, Tel Aviv, mas nenhuma dessas cidades tem o clima brasileiro. O Brasil é o país mais rico do mundo, mas infelizmente o brasileiro não sabe o que tem nas mãos.
Vinny: Você é um jogador negro e latino-americano. Em algum lugar você já sofreu preconceito?
Vargas: Claro que sim. O preconceito foi implantado através de gerações e não é fácil acabar com ele de uma hora para outra. Temos que trabalhar para erradicar essa doença. Posso dizer que é um dos maiores tocos da humanidade.
Vinny: Qual seria o seu Dream Team?
Vargas: Eu sinto que estou jogando com o meu Dream Team. Encontrei uma confiança entre os nossos dirigentes e amigos sensacionais. O Rogério e o Demétrius são dois atletas que além do enorme talento são dois grandes amigos fora da quadra. É claro que eu gostaria de ser o sexto homem de um time que tivesse o Michael Jordan ou o Magic Johnson, mas talvez não tivesse o mesmo clima daqui.
Vinny: Como você investe o seu dinheiro?
Vargas: Pelo amor que tenho pelo Brasil procuro investir no campo. Gosto da produção agrícola. O retorno não é grande, mas é uma coisa de família, de raiz, sou filho de camponeses. Na fazenda que possuo em Franca trabalho com lavoura de café e gado.
Vinny: Você tem jeito de gostar de uma música sertaneja...
Vargas: Adoro, é a minha cara. Minha dupla favorita é o Zezé di Camargo e Luciano.
Vinny: Qual é a música brasileira que logo vem à sua cabeça quando você está longe do Brasil?
Vargas: Visitei o Brasil pela primeira vez em 1979, como juvenil da seleção dominicana. Nesse ano escutei uma música que nunca mais saiu da minha cabeça: “Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”, “País Tropical” do Jorge Bem Jor. Representa o que é o Brasil.
Vinny: Quem é o seu melhor amigo?
Vargas: Deus. Ele é o único em que podemos contar sempre. Somos imperfeitos e nem sempre estamos prontos para ajudar os outros.
Vinny: A quem você dedicaria uma cesta?
Vargas: A minha mãe (Ana Vargas). Foi uma pessoa que sempre esteve presente na minha vida e lutou bastante para suprir a ausência do meu pai.
Vinny: O Oscar é o maior ídolo do basquete brasileiro de todos os tempos e joga no nosso arquirival Flamengo. O que você sente quando entra em quadra para enfrentá-lo?
Vargas: Ele é um atleta obstinado, o maior cestinha da história das Olimpíadas e o único estrangeiro a ser escolhido pelos americanos para o Hall of Fame da NBA. Mas em quadra, ele estará invadindo meu campo de guerra. É um adversário a ser vencido, muito diferente de inimigo. Acabou o jogo somos todos iguais e amigos.
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