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Eu poderia usar este espaço que me foi aberto pela Revista do Vasco para destacar um título, um gol, uma passagem, um momento inesquecível na minha carreira.
No entanto, preferi aproveitar essa “Tribuna” para falar sobre o que considero a base de tubo: o grupo. Sempre que me ocorria algum título a ser destacado, eu pensava no grupo que tinha conquistado aquele título. Do gol, me lembrava da jogada, do lançamento, da cobertura. Realmente, para falar sobre a minha vida no Vasco, não poderia me limitar a falar de mim. Aproveito, então, para destacar o papel que o grupo teve desde o início da minha carreira e que tem até os dias de hoje.
Tudo começou em 1972. Aos 18 anos tinha acabado de me tornar titular. Era um garoto em um grupo que contava com jogadores experientes. Como Alcir, Moisés, Joel, entre outros. Disputávamos o Campeonato Brasileiro. Me lembro de um jogo fora do Rio, em que eu estava sofrendo uma marcação individual muito forte. Num dado momento fui dominar a bola, o marcador veio cheio de disposição e eu me preparei para escorá-lo com os braços. Ele interpretou o lance como uma cotovelada intencional e partiu pra cima., junto com o resto do time. Me vi cercado pelos adversários, até que ouvi um grito, que só depois percebi vir do Moisés: “No garoto ninguém toca!”, bradou o Xerife. Mais importante do que apenas ser tirado daquela situação, o que ficou foi à mensagem de apoio que recebi do grupo.
Em 74 chegamos à final do Campeonato Brasileiro contra o Cruzeiro, uma equipe tecnicamente superior a nossa. Novamente o grupo mostrou sua força. Graças ao conjunto e ao espírito de equipe, conseguimos nos superar, conquistando o título tão almejado.
À medida que a minha carreira avançava, a experiência trazia uma certa sabedoria. A sabedoria de estar sempre pronto para receber críticas, de ouvir os companheiros, de entender e considerar o ponto de vista de cada um, de sugerir sem pretender ser o dono da verdade, de ir conquistando passo a passo uma posição de liderança. Acredito que aquele que diz: “Eu sou um líder”, deixa claro de conhecer o real significado da liderança. Não é uma questão de se autoproclamar e sim fruto de uma escolha natural do grupo. Eu nunca tive a preocupação de ser um líder. A única coisa que eu queria era passar a experiência que já tinha adquirido e trazer tudo que pudesse para o grupo. Dar o mesmo apoio que sempre recebi.
O que eu ganhei do futebol? O reconhecimento e o respeito das gerações com as quais convivi ao longo dessas décadas em que estive ligado ao futebol e mais especificamente ao Vasco. Nunca tive um atrito. Até hoje sinto o respeito e o carinho da torcida, dos companheiros, dos jogadores novos, alguns que eu vi começar como o próprio Romário. Essa é a magia do futebol. Vale a amizade, a união para que todos se superem, o apoio no enfrentamento de dificuldades, os títulos, as alegrias compartilhadas e, principalmente a consciência que sozinho não se chega a lugar nenhum.
Hoje, tento passar essa vivência para o grupo do Vasco. O Vasco tem, nesse momento, uma das maiores equipes do futebol brasileiro, mas isso só não basta. Essa equipe, com um enorme potencial para nos dar muitas alegrias, muitas conquistas, será seguramente vencedora se prevalecer a integração do grupo, o espírito coletivo, se todos tiverem a humildade de servir a equipe, de servir ao Vasco. Estou muito confiante e sei que estamos apenas começando. 2000 ainda nos reserva muitas alegrias. Desejo um ano de muitas conquistas para o Vasco. Com certeza, elas virão...
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