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RAMALHO

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Grande torcedor e símbolo do Vasco, animou a torcida e o time com seu clarim de talo de mamona durante quatro décadas.
Ramalho viveu sua vida pelo clube e estava de tal forma ligado ao Vasco que batizou sua filha com o nome de Teresa Herrera, nascida no dia da conquista da taça de mesmo nome. O som de seu clarim ainda ecoa nas lembranças daqueles que o ouviram em São Januário e no Maracanã.
Faleceu em 2005 após um período enfermo, quando teve suas despesas hospitalares pagas pelo clube.
Saiba mais sobre o Ramalho clicando aqui e aqui.
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CYRO ARANHA

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É difícil um político alcançar unanimidade. Se ele for vascaíno, dado o sempre conturbado cenário político do clube, essa tarefa se torna quase hercúlea. Mas ele, Cyro Aranha, conseguiu esse status no Vasco.
Seu primeiro mandato como presidente foi em 1942, ano em foi plantada a semente do Expresso da Vitória. Outro legado de sua primeira presidência, que se incorporou na mitologia vascaína, foi à criação do Departamento Infanto-Juvenil. É por essa obra que ele seria mais lembrado, afinal a frase símbolo do DIJ – “Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal” – pode ser vista e ouvida por todos os cantos de São Januário, sempre com o nome de Cyro Aranha como sendo o autor da frase, ainda que a verdadeira autoria pertença a Álvaro do Nascimento.
Cyro Aranha ocupou por mais duas vezes a presidência do Vasco, nos mandatos que se iniciaram em 1946 e 1952. Sua época foi marcada pelo Expresso da Vitória, por um esporte amador forte e por grandes realizações patrimoniais. Mais do que somente mais um dos presidentes do Vasco, Cyro Aranha será sempre lembrado como modelo de vascaíno.
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PAI SANTANA

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Uma lenda de São Januário, Pai Santana começou no clube lutando boxe em 1946, quando o Vasco era uma das maiores referencias da modalidade no país. Como atleta chegou a ser tricampeão carioca na categoria médio-ligeiro mas deixou o esporte quando se alistou no Exército. Sucessor de Mário Américo como massagista, este que alcançou grande fama na época do Expresso da Vitória, Santana estreou na função que o levaria a imortalidade cruzmaltina em 1954, em um jogo contra o Bonsucesso; desde então o bruxo atravessou seis décadas cuidando de nossos jogadores e fazendo seus trabalhos espirituais para a glória da Cruz de Malta.
São muitas as histórias que envolvem essa figura querida por todos, a mais famosa é sem dúvida aquelas que envolvem a conquista do Brasileiro de 1974, o primeiro do Vasco: Pai Santana colocou um sapo com o nome do adversário na boca dentro do Maracanã, palco da disputa do jogo da decisão com o Cruzeiro. No final, o Feiticeiro de 1974 acendeu inúmeras velas no gramado para agradecer o título.
Outra vítima de sua magia foi o rival, Pai Santana chegou a descer de helicóptero em 1977 no deprimente Estádio da Gávea a fim de colocar um despacho para favorecer o clube na decisão do Estadual daquele ano, que logicamente teve o Vasco como campeão. Em outra oportunidade uma cabeça de porco foi posicionada na porta da entrada social desse clube. O temor do poder do feiticeiro cruzmaltino fez com que tiros fossem disparados pelos desesperados rubro-negros, porém o serviço estava feito.
Pai Santana chegou a trabalhar no mundo árabe, buscando os petrodoláres que seduziram tantos no futebol nacional no passado, mas era só o Vasco chegar a uma final que ele estava lá, acompanhando o clube. Depois de quatro anos, ele não agüentou mais e voltou para sua casa.
Tendo passado tanto tempo dentro de São Januário, Santana viu de perto todos aqueles craques e esses o devotavam com um enorme respeito, a ponto de que quando uma grave enfermidade atingiu esse patrimônio vascaíno na década de 90, os jogadores saíam de São Januário para visitá-lo no hospital. No tratamento dos jogadores, um mantra criado por esse ícone era repetido por eles na enfermaria: “Deus é vida, Vasco é amor, Pai Santana cura a minha dor”.
No final de sua carreira no Vasco, Pai Santana imortalizou um gesto que executava toda vez que o time entrava em campo: ele desenrolava uma bandeira vascaína, a posicionava cuidadosamente no chão e ajoelhado a beijava. Era a senha para a torcida gritar seu nome.
Em 2005 um derrame o afastou de São Januário, mas ele permanece como funcionário do clube, uma homenagem mais do que justo a aquele que um dia disse a seguinte frase: “Se Deus disser que é mais vascaíno do que eu vai dar briga muito boa”.
Clique aqui para saber mais sobre o Pai Santana.
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JAGUARÉ

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Em 1928, Walter Miceli se destacava no gol, em peladas no bairro de São Januário. Graças à sua atuação nos campos, o vascaíno então com 6 anos, ganhou o apelido de Jaguaré, goleiro cruzmaltino da época. Querendo conhecer o responsável por seu apelido, foi a São Januário acompanhado por seus familiares. Ao ouvir o professor Castro Filho falar pelo serviço de som do estádio, sentenciou: "Um dia eu vou falar aqui".
O menino Jaguaré adquiriu o costume de frequentar São Januário. Em 31, assistiu à maior goleada da história de seu time sobre o arquirival Flamengo, um humilhante 7 a 0. A equipe jogou com Jaguaré, Brilhante, Itália, Tinoco, Fausto, Mola, Baianinho, "Oitenta e quatro", Russinho, Mario Mattos e Santana. "Esse foi o momento mais gostoso da minha vida. O melhor time que já vi jogar. Se antes da partida eles dissessem que iam dar de cinco, eles davam."
Segundo o locutor, o goleiro Hélton, que atuou no clube entre 1999 e 2001, lembrava um pouco o goleiro campeão de 1931. "Ele só não faz uma coisa que Jaguaré - "O Dengoso" - fazia. Ele defendia, girava a bola no dedo e dava pro atacante tentar de novo e voltava a defender", lembra Jaguaré.
Em 12 de fevereiro de 1947, aos 25 anos, Jaguaré fora levado pelo jornalista Julio Gammaro, do jornal "A Noite", para um teste de locutor. Segundo ele, antes mesmo do final do teste, o então vice-presidente Alvaro Ramos o convocou para assumir o posto de primeiro locutor do estádio de São Januário. Naquele ano o Vasco foi campeão.
Entra presidente, sai presidente e Jaguaré continuava firme como a "Voz de São Januário". Apaixonado declarado pelo Vasco, ele ensaiava a possível aposentadoria. "Eu queria parar um pouco, mas ninguém vai aceitar. O doutor Eurico não ia deixar, ele gosta de mim e eu sou muito grato a ele", agradecia.
Durante 54 anos, ele seguia o mesmo ritual: chegava ao estádio, dizia a escalação dos times, o juiz e os auxiliares da preliminar, informava as substituições e os autores dos gols e repetia o mesmo no jogo principal. Também participava de todas as solenidades para as quais era convidado. "Isso eu faço muito bem", contava Jaguaré.
Com vista privilegiada da tribuna de imprensa, ele acompanhou a torcida vascaína durante cinco décadas e falava sobre essa evolução. "Apesar de o Vasco sempre ter sido um clube com torcida, ela cresceu muito". Jaguaré contava que há 30 anos, a vida social no Vasco era mais ativa, "tinha umas festas juninas lindas muito bem organizadas pelo seu Ismael".
Além de locutor, Jaguaré já trabalhou em cinema, com pequenas participações em "Obrigado Doutor", com Rodolfo Mayer e "Poeira de Estrelas" com Colé. Um fato curioso em sua vida é que certa vez ele foi convidado pelo administrador do Cemitério do Caju para ler as orações no enterro. Muito religioso, se correspondia com o Vaticano desde 1938. "Eu escrevo regularmente para o Papa e sempre obtenho resposta", contava orgulhoso.
Desde que começou a trabalhar em São Januário, a partida que mais gostou aconteceu no dia 25 de maio de 1945. O adversário foi o time inglês Arsenal e a vitória veio através de um gol olímpico do ponta-direita Nestor.
Apesar de tentar, Jaguaré nem sempre conseguiu ser imparcial. Em 10 de setembro de 1996, o Vasco ganhava por 1x0 do Grêmio, o tempo regulamentar já tinha acabado e o juiz Oscar Roberto de Godói não terminava a partida. Quando Paulo Nunes empatou o jogo, Jaguaré entrou em desespero, pegou o microfone e disse: "Agora você pode acabar seu muquirana". O estádio o aplaudiu.
"Eu ganhei tantos prêmios durante todo esse tempo, que já não consigo lembrar de todos". O próximo promete ser inesquecível. O vascaíno teve seu nome incluído no Guiness Book, por conta de seus 54 anos de locução em São Januário.
No dia 17 de outubro de 2001, o Vasco perdeu um dos maiores personagens da sua centenária história: Walter Micelli, o Jaguaré, locutor oficial do clube.
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ÁLVARO DO NASCIMENTO

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“Enquanto houver um coração infantil o Vasco será imortal”. Não há frase mais identificada com o Vasco do que essa. Seu autor? Não, não foi o grande Cyro Aranha, como a tradição diz. O verdadeiro autor da frase é Álvaro do Nascimento Rodrigues, o Cascadura.
Sócio do clube desde novembro de 1917 - mês que o clube registrou a adesão de duzentos vascaínos -, sua participação na construção de São Januário foi destacada. Junto com sua família, atravessava as noites preparando os recibos, cerca de 10 mil, que seriam entregues aos doadores que ajudaram a construir o nosso colosso. No final da década de 30, quando o clube novamente recorreu à torcida para quitar suas dívidas, na campanha que ficou conhecida como Libertação Financeira do Clube, o incansável Cascadura também esteve presente.
Manteve durante décadas uma coluna no Jornal dos Sports, com o pseudônimo de Zé de São Januário, onde logicamente sempre dava grande destaque aos acontecimentos do clube que amava. Nessa coluna, na década de 40, após um goleiro vascaíno ter falhado e tomado um gol, disse que o mesmo havia tomado um “frango”, uma alusão à posição de defesa em que o goleiro agacha para encaixar a bola, que passa pelo meio de suas pernas. A partir disso, essa expressão entrou para o folclore do futebol brasileiro.
Na época da criação do Departamento Infanto Juvenil, Cascadura não apenas criou seu lema, mas fomentou como pode o recém criado departamento nas páginas do JS. Também foi um grande incentivador da construção da Capela Nossa Senhora das Vitórias. Todas essas realizações levaram esse grande vascaíno ao posto de Grande Benemérito do clube.
A Álvaro do Nascimento Rodrigues, de uma torcida agradecida.
Clique aqui para ler um texto do Cascadura.
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MÁRIO LAMOSA

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Em 1941, o recém-criado Departamento Infanto-Juvenil (DIJ), que nos anos vindouros formaria milhares de atletas, teve como seu décimo segundo infanto-juvenil na categoria infantil B, ninguém menos que Mário Lamosa. Junto com seu irmão, Mário que posteriormente viria a se tornar um dos maiores remadores da história vascaína, ingressou na primeira turma desse departamento no Vasco. Desde aí Mário Lamosa já demonstrava seu enorme talento e vocação para os esportes. Nas palavras de Levy de Mello, um dos fundadores do DIJ, o jovem Lamosa era um dos mais “irriquietos”.
No ano de 1949, começou a saga de Mário Lamosa no remo. “Descoberto” por um treinador alemão que comandava a esquadra vascaína, Lamosa uniu a paixão pelo remo com o amor pelo Vasco. O primeiro título veio no Campeonato Carioca de 1951. O remador que era morador da tradicional rua São Januário conquistou nove dos dezesseis títulos estaduais obtidos pelo Gigante da Colina entre os anos de 1944 e 1959. Além disso, soma-se um tricampeonato brasileiro, o título sul-americano pelo Brasil no ano de 1954 e a reverência e reconhecimento de toda a torcida vascaína. Quando se aposentou das competições oficiais, entrou na política do clube, sendo sempre um dos políticos mais influentes, o qual era detentor do título de Grande Benemérito.
Entre 1974 e 1981, voltou a competir, dessa vez na categoria veterano. Com a “segunda aposentadoria”, Mário Lamosa tornou-se vice-presidente de remo no mesmo ano. Voltou a ocupar o cargo de 1998 até 2002, sendo campeão em todos esses anos. Também foi diretor da Confederação Brasileira de Remo.
Lamosa em seu habitat natural: a Sede Náutica da Lagoa
Nos seus últimos anos de vida, Lamosa ainda tinha aquela energia própria dos remadores. Sua figura dominava as margens da Lagoa e toda a Escola de Remo do Vasco se enchia de orgulho e admiracão por ver aquele ícone do remo. Ele era o espelho de todos. Mário Lamosa, um vascaíno forjado pelo remo, como os pioneiros.
Em maio de 2004, o Vasco perdeu uma das suas figuras mais representativas da história do seu remo. No dia 15 de março de 2009, o Vasco prestou uma justa homenagem ao ex-remador, batizando um barco (single skiff) recém-adquirido com o seu nome.
Em 2010, a Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro instituiu o Troféu Mário Lamosa para o vencedor da segunda regata do Estadual, em homenagem à memória deste grande entusiasta do esporte.
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JOAQUIM CARNEIRO DIAS

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Nos remotos tempos em que no futebol não havia ainda a Cruz de Malta, ele era o nosso Romário, nosso Roberto e Edmundo. Um craque do remo, um vascaíno de verdade, de sangue de alma, cujos largos ombros sustentavam nossas esperanças de vitória.
Homens do mar como Joaquim Carneiro Dias também fizeram o Vasco que conhecemos, porque através de suas vitórias, alma de qualquer clube, o Vasco se tornou o maior clube de remo da nação quando este era o seu principal esporte. Posteriormente, quando o futebol tomou seu lugar, o Vasco estava lá, vitorioso e preparado para ser a referência da colônia portuguesa que apostava no esporte da bola e que literalmente bancava o clube.
Se hoje o vascaíno torce por um time de futebol que carrega nosso símbolo é porque no passado haviam homens do remo que encheram o Vasco de glória. E dentre esses homens, Joaquim Carneiro foi o maior deles.
Carneiro Dias começou remando no Vasco em 1904, um ano chave para a afirmação vascaína como clube vencedor. Havia pouco tempo, uma dissidência levara numerosos remadores de qualidade para um clube vizinho, o Internacional de Regatas, que a época estava obtendo melhores resultados que o Vasco. Justamente esse clube patrocinaria a primeira regata disputada por Joaquim Carneiro e na garagem vascaína o clima era de revanche.
Coincidência ou não, nesta regata foram conquistados os dois primeiros troféus do Vasco, um deles na Prova de Honra “Dr. Francisco Pereira Passos” com Joaquim Carneiro a bordo da Yole a dois remos. Era o primeiro título da história nesse tipo de prova. O Vasco se impunha perante os rivais.
Em 1905 e 1906 o clube alcançou o feito inédito do bi campeonato de remo, e Joaquim - apesar de não ter feito parte das guarnições que ganharam os títulos - continuou acumulando vitórias nas regatas. Sua importância já era grande a ponto dele ser um dos poucos vascaínos que foram cumprimentados pelo Presidente da Republica que assistia a regata do campeonato de 1906.
No ano seguinte o Vasco participaria pela primeira vez de uma competição fora do Rio de Janeiro e para representá-lo foi mandada a São Paulo a Yole-4 “Alcyon”, que venceu sua prova e conquistou a Taça Esperia, o primeiro título fora de terras cariocas. Joaquim Carneiro era um dos cinco que compunham a guarnição.
Vascaíno ardoroso, Carneiro participava ativamente da política do clube. Em 1908, após Assembléia que elegeu a diretoria para o ano seguinte, ele entra em conflito com Alberto de Carvalho Silva, o maior nome do Vasco de então e Presidente de Honra. Talvez por isso Carneiro não tenha disputado da campeonato daquele ano que terminou com outra Assembléia para eleição da nova diretoria para 1910 e desta vez Joaquim disputaria a presidência. Era uma tarefa inglória dado o prestígio político de Alberto de Carvalho e a derrota foi avassaladora. Mesmo assim, Carneiro Dias marcara seu posicionamento de oposição e um começo de crise, logo contornada, se instaurou no clube.
Em 1910, Joaquim volta a competir e a “animar” as Assembléias vascaínas: na de dezembro daquele é convidado pelo Presidente da reunião a retirar um termo “antiparlamentar” que proferiu ao discutir violentamente com outro vascaíno. Mesmo ainda sendo atleta, Carneiro Dias assume em 1911 o cargo de primeiro diretor de regatas, que na época só perdia em prestígio para o de presidente. Na vida social ele também se destaca, tendo trazido para o clube no biênio 1910-11, 16 novos sócios, sendo o segundo a mais captar associados para o Vasco no período.
Continua...
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ALFREDO SEGUNDO

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Uma lenda, esse foi Alfredo II. Jogador de qualidades, aliava a técnica a uma garra impressionante. Assim era chamado, pois no Vasco já havia outro Alfredo, um atacante mineiro.
Ainda muito jovem era considerado uma promessa: mesmo jogando como amador, fazia partidas pelo time profissional. Seu primeiro contrato data de 1939, quando solicitou, e ganhou, uma dentadura como luvas.
Nesse mesmo ano, época em que não se permitiam substituições durante o jogo, atuou como goleiro em um jogo contra a Portuguesa, era o prenúncio da versatilidade que demonstraria no resto de sua carreira.
Jogando no Vasco, nunca foi titular absoluto, entrava e saía do time. Apesar disso era reconhecida a sua disciplina tática e a já citada versatilidade, características que o levaram a Seleção Brasileira.
A lenda Alfredo Segundo vai além do bom jogador que ele de fato era, e entra na seara do amor incondicional que ele tinha pelo Vasco, talvez seja o jogador da Era Profissional que mais amou esse clube. Dois fatos mostram bem isso.
Certa época foi aliciado pelo Fluminense e inclusive as bases contratuais já haviam sido acertadas, porém os diretores do Vasco apelaram para o seu lado emocional e o amor falou mais alto.
Em 1949, em uma injustiça sem tamanho, foi julgado ultrapassado pelo seu clube do coração e dispensado. Aceitou então um convite do Flamengo, clube que não se cansava de apanhar do Expresso da Vitória que ele, Alfredo, fazia parte. Depois de fazer alguns amistosos por esse clube, foi aprovado e chamado para assinar seu contrato. Pausa. É aqui que Alfredo Segundo inseriu seu nome na galeria dos grandes do Vasco da Gama. Alfredo Segundo não conseguiu assinar. Alfredo Segundo caiu em prantos ao perceber o que iria fazer. Suas lágrimas molharam o papel que para ele era uma traição ao seu sentimento. Alfredo Segundo era vascaíno de verdade e jamais assinaria com aquele clube. Seu presidente então ligou para Cyro Aranha e relatou a situação. 15 dias depois Alfredo Segundo voltava para o lugar que nunca deveria ter saído.
Foi então que Alfredo calou a boca daqueles que diziam que ele estava acabado para o futebol. Treinou como nunca havia treinado e foi convocado para a Copa do Mundo de 1950, jogando na ponta-direita e até marcando gol. No Carioca do mesmo ano, ganho pelo Vasco, o versátil Alfredo foi titular da lateral direita de todo o segundo turno.
Na revanche da Copa, quando o Vasco enfrentou o Penãrol do Uruguai em 1951, ele anulou completamente nos dois jogos o carrasco brasileiro Giggia.
No ano seguinte, Alfredo Segundo estava lá, na final do carioca de 1952. Terminou sua carreira assim, coberto de glória. Recebendo título de sócio remido e medalha em 1956, ano em que pendurou as chuteiras.
Mas ele não conseguiria ficar longe de sua casa, sempre ajudando quando solicitado, servindo até de segurança em baile de carnaval do clube. Em São Januário sempre foi um vascaíno nato, vibrante e dedicado.
Alfredo Segundo, uma jóia rara, uma glória.
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DULCE ROSALINA
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O ano de 1956 é histórico para o Vasco. Além da conquista de mais um título carioca, marca o surgimento da primeira torcida do Brasil chefiada por uma mulher. Ela era Dulce Rosalina, criadora da Torcida Organizada do Vasco (TOV), que faleceu em 2004, aos 79 anos.
Filha de português e sócia do clube desde os 2 anos de idade, Dulce contribuiu com seu entusiasmo, para vitórias do Gigante da Colina, não apenas no futebol. Desde os primeiros tempos, as bandeiras da TOV eram vistas nas competições de remo e basquete, incentivamento a paixão dos vascaínos por outras modalidades de esporte.
Por sua presença constante nos estádios do Rio e de outras cidades, Dulce recebeu, em 1961, o prêmio de maior torcedora do Brasil. Doado ao clube em sinal de gratidão, ele está guardado na sala de troféus de São Januário. A dedicação ao Vasco quase lhe custou a vida, em 1968. O ônibus em que ia, liderando uma caravana da TOV a São Paulo, rolou uma ribanceira de 50 metros. Devido ao acidente, Dulce ficou dois anos de cama, mas logo se recuperou e voltou a viajar.
Em 1998, ela foi a Tóquio para ver o Vasco, na decisão do Mundial de Clubes, contra o Real Madrid.
Divergências na política interna do Vasco levaram Dulce a deixar a TOV em 1976 e criou outra torcida, a Renovascão, que liderou até falecer. Três dias após sua morte, a dama das arquibancadas foi homenageada pela Prefeitura do Rio, que mudou o nome da antiga Rua do Reservatório, próxima ao clube, para Dulce Rosalina.
Dulce Rosalina é um exemplo de torcedora símbolo do clube. Sem dúvidas, vão se passar gerações e mais gerações e ela vai continuar sendo referência. |
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ELI MENDES
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A maior riqueza que um clube de futebol pode ter é a sua torcida. Ela é mais importante até que jogadores, títulos ou patrimônio. Afinal, um campeonato conquistado não tem muita graça se não houver comemoração. Fundada em fevereiro de 1970, a Força Jovem é a maior torcida independente do Brasil. Independente porque é a única facção que não precisa da ajuda do clube para crescer. E sua grandeza impressiona.
O crescimento da Força Jovem deu-se a partir de 1971, quando Eli Mendes assumiu a presidência da torcida. Com o novo mandatário, a Força Jovem deixou de ser uma torcida apenas de bairro para ganhar projeção nacional. A famosa sigla ''FJV'' foi criada para aumentar a identificação da torcida com os vascaínos. Uma sala no Maracanã foi conseguida para guardar o material da torcida.
Enquanto as outras torcidas brigavam, Eli zelava pelo bom ambiente na Força Jovem. "Viemos ao estádio para torcer, não para brigar". O velho presidente ficou no cargo até 1989, ano do bicampeonato brasileiro de futebol. E durante esses 18 anos à frente da maior organizada vascaína, Eli sempre zelou pela integridade dos seus membros, como a proibição do uso de caixa de morteiros e fogos de artifícios durante os jogos do Vasco. ''Ficamos atrás do gol. É só observar durante o jogo se do nosso lado, alguém solta fogos. Cumprimos todas as determinações e não queremos que ninguém queime as mãos ou fique cego.''
Eli, definitivamente, doava-se para a Força Jovem. Pagava do próprio bolso passagem para torcedor acompanhar o time nas caravanas. Coordenar a torcida era parte da sua vida. Perfeccionista, reclamava quando uma bandeira não estava amarrada direito. "A bandeira tem que ficar bem no alto, tremulando, mostrando as cores do nosso clube e o nome da nossa torcida, composta por um grupo dedicado e trabalhador".
Um grupo dedicado e trabalhador. Que amava o Vasco acima de tudo. Essa era a Força Jovem, comandada por Eli Mendes. |
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