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| Tenho muito orgulho de dizer que sou vascaíno - Por Antônio Lopes |
| Tenho muito orgulho de dizer que sou vascaíno - Por Antônio Lopes |
Fonte: Revista do Vasco - Abril de 2000 Tenho muito orgulho de dizer que sou vascaíno. E, apesar de ter saído do clube há pouco tempo, após mais um maravilhoso período de trabalho, tenho certeza de que um dia voltarei. O Vasco marcou a minha vida. Sou filho de portugueses e, desde cedo, aprendi a gostar do clube. Meu pai, João Lopes, e minha mãe, Maria dos Nascimento Lopes, já falecidos, amavam essa bandeira. Meu pai, por sinal, era vascaíno de quebrar o radinho. E eu não poderia ser diferente. Dos meus nove irmãos, apenas um não era vascaíno. No início da década de 50, meu pai fez de nós sócios do clube. Nunca mais esquecerei aqueles domingos. Íamos cedo para São Januário. Às 10h 30min, era hora do jogo do time juvenil e já estávamos todos lá. Torcendo. Vibrando. Conhecendo as revelações. Depois, almoçávamos o sanduiche de carne assada ou de mortadela que minha mãe havia levado, meu pai comprava os refrigerantes e era uma festa só. Durante o almoço, meu pai deixava a carteira marcando nossos lugares nas cadeiras e ninguém pegava. Tudo era respeitado. Voltávamos e, às 14 horas, era hora de ver o time aspirante. Pouco mais tarde, o profissional. Eu adorava aquela rotina. Me sentia feliz. Lembro-me de que, logo após a conquista do Campeonato Carioca de 1952, vi o Gentil Cardoso, técnico daquele time, desfilar no gramado de São Januário, enquanto acenava para a torcida. São cenas que jamais esquecerei. Sempre gostei de ser centroavante e, quando joguei no Olaria, atuava nessa posição. Por isso, meu maior ídolo sempre foi o Ademir Menezes. Ele sabia ser atacante. Não dá pra esquecer do Queixada... A partir dos 14 anos, ia sozinho aos estádios. Me desgrudei um pouco dos meus pais e, no Maracanã, era freqüentador assíduo da geral. Depois, a grana melhorou um pouco e subi para as arquibancadas. Sempre torcendo pelo Vasco. Em 1974, já como delegado de polícia e formado em educação física, fui convidado pelo Hélio Vígio, na época preparador físico do time, para trabalhar no Vasco. Eu vibrei. Era a possibilidade e unir o útil, o desejo de trabalhar no futebol, com o agradável, a possibilidade de servir ao Vasco. Aceitei o convite e, desde então, fiquei ainda mais ligado ao clube. Fui técnico do Vasco em quatro ocasiões. Minha maior alegria foi a conquista da Taça Libertadores da América, em 1998. Aquela conquista me marcou muito. Todos os vascaínos esperavam por aquilo. Foi um marco. Lembro na nossa chegada a Guaiaquil, no Equador, onde decidimos o título com o Barcelona. A pressão local contra nossa equipe. Não dá pra esquecer... A dor maior foi a perda do Mundial de Clubes, esse ano. Foi pior do que a perda da Copa Toyota, em 1998. Achava que não perderíamos o título no Maracanã, principalmente depois da vitória sobre o Manchester United. Ficamos sem o título jogando bem, sem perder nenhum jogo. Foi doloroso, um acidente... Fiz muitos amigos no Vasco. Tanto na oposição, quanto na situação. Todo mundo gosta de mim lá. Sabem que sou vascaíno. Meu filho, Júnior, já foi mascote do clube, hoje é técnico do infantil e todos o adoram, também. Penso em voltar um dia. Melhor: Tenho certeza de que vou voltar. Cumpri meu papel. Sou o técnico que mais títulos conquistou pelo Vasco, superando Flávio Costa. Tenho orgulho de ter dirigido esse time em mais de 500 jogos. Considero fazer parte da história do Vasco. E isso me emociona. Obrigado, Vasco.
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